Uma oficina de leitura para surdos: cidadania corporativa e cultura

Oficina de leitura para surdos

Países como Japão e Alemanha possuem empresas que exercem sua cidadania corporativa há anos, algo quase que obrigatório visto por seus consumidores, porém no Brasil são poucas as empresas que ainda não perceberam ser esse um diferencial de sua marca junto à sociedade.

Projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet, por exemplo, podem auxiliar no engajamento de empresas às causas sociais e culturais.

  Estabelecer uma identidade altruísta junto à sociedade. Na Primal Studio, temos um projeto cultural que traz à tona o engajamento no trabalho com surdos.   

Poucas pessoas sabem que no Brasil existem duas línguas oficiais: a língua portuguesa e a LIBRAS. Hoje o surdo tem a possibilidade de uma educação  bilíngue, sendo que a língua portuguesa não é a primeira, mas a segunda língua que aprende na escola (ou que deveria aprender).

Embora seja essa uma grande vitória, ainda há problemas quanto à inclusão social e ao exercício pleno da cidadania, no que tange o acesso aos bens culturais.

Muitas escolas não preparam bem o aluno para o uso da língua portuguesa escrita. Formam-se com grande dificuldade na leitura e, pior, uma grande dificuldade em usufruir boa parte da literatura brasileira e do que é produzido em termos de cultura nacional em língua portuguesa (filmes, quadrinhos, romances, poesia etc.).

Há pouco material em LIBRAS e poucas iniciativas para promoção da leitura em língua portuguesa para surdos.

O INES, principal órgão do MEC, reconhecido como o centro de referência na área da surdez e difusor do ensino de LIBRAS, formulando políticas públicas para a comunidade de surdos, reconhece tais problemas e para tanto elaborou um documento (em conjunto com a sociedade, através de pais de surdos e que se chama “PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional”) em que estabeleceu metas para o período de 2012 – 2016.

A proposta de nossa oficina (aprovada pela Lei Rouanet) “Leituras na roda para surdos” encaixa-se em pelo menos três dos objetivos do PDI, a saber:

“IV- Promover e apoiar políticas linguísticas que contribuam para a valorização e difusão da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – como patrimônio imaterial do País em todo território nacional, e favoreçam a sua aquisição por crianças, jovens e adultos surdos, seus familiares e colegas de escola ou trabalho, bem como por profissionais que atendam essas pessoas.”

“V – Promover e apoiar políticas e ações que viabilizem o letramento, em Língua Portuguesa, de alunos surdos usuários da LIBRAS, usuários de implante coclear e usuários de próteses auditivas, bem como o acesso à Língua Portuguesa oral por parte desses alunos nos termos do artigo 16 do Decreto 5.626 de 2005;”

“XIV – Desenvolver e distribuir nacionalmente material didático-pedagógico para o ensino de alunos surdos, bem como materiais e publicações técnico-científicas relacionados à surdez;”

Tais objetivos vão de encontro ao que a oficina propõe: valorização do uso de LIBRAS; aproximação entre as duas línguas por meio do trabalho com a leitura, favorecendo o acesso a bens culturais que muitas vezes o surdo não tem, em função da precariedade do ensino de língua portuguesa pelo qual passou.

Serão três oficinas gratuitas com surdos e/ou intérprete de LIBRAS com o propósito de capacitação para o trabalho e promoção com leitura na comunidade surda em Belo Horizonte – MG.

Ao final das oficinas, será produzido um livro de cerca de 40 páginas (em uma versão impressa e digital em português), relatando a experiência da promoção da leitura na comunidade surda a ser distribuído gratuitamente para bibliotecas e instituições que promovam o trabalho com LIBRAS e inclusão social.

Através da produção posterior do livro, queremos que a experiência possa ser replicada em outras cidades e locais.

Segundo dados do IBGE de 2010, 4,5% da população da cidade de Belo Horizonte são surdas ou possuem algum tipo de déficit auditivo.

A oficina pretende tornar seus participantes agentes multiplicadores no trabalho com a promoção da leitura entre essa comunidade, de modo que a acessibilidade e a democratização são verdadeiramente o coração deste projeto, visando à inclusão social, ao exercício pleno da cidadania; o acesso aos bens culturais, por meio de uma atividade cultural que é a promoção da leitura.

Procuramos parceiros, apoiadores e patrocinadores para este projeto aprovado pela Lei Rouanet (PRONAC  160388).

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