Por que devemos prestar atenção na crise da Barnes & Noble?

 

A Barnes & Noble é uma cadeia de lojas no exterior que vem passando por uma crise, sendo a última a demissão do CEO que fora contratado recentemente.

É o seu reflexo no mercado editorial que estampa o tamanho do problema que atinge, com outras cores, o nosso mercado também.

E claro, sobra para todos os lados, atingindo o mercado de HQ’s. Saiba como. Sua concorrente é a Amazon e a Amazon não tem interesse pelo mercado de livros, mas no cadastro de clientes que o mercado de livros fornece para que possa alavancar seus outros negócios, o principal, o de computação na nuvem.

Ter a cadeia de lojas fechadas pode ser o início da quebradeira de pequenas e médias editoras comerciais e universitárias que vão ter a sua dependência cada vez maior da Amazon. Mas a Barnes & Nobles não vai fechar, tem sofrido uma lenta e gradual queda, ano após ano. Lenta e gradual.

A CNN listou há pouco tempo algumas possíveis soluções, tais como abandonar o e-reader Nook, reduzir a cadeia; trabalhar com curadoria, estimular o senso de comunidade.

São propostas que já deveriam ter sido realizadas há alguns anos atrás. A cada ano a redução das vendas nas lojas vem demonstrando um problema de muitas livrarias. Como sobreviver neste bravo mundo novo do e-commerce?

Não bastasse a concorrência da Amazon, há outros fatores que colaboram com a queda nas vendas. Autores independentes e entidades ou empresas que publicam livros como meio de levar a sua mensagem, o seu marketing, não havendo importância com o lucro, pois não é ali que vão retirar o seu livro (estão aprendendo com a Amazon).

Para Mike Shatzin, uma possível solução passa por um melhor gerenciamento do estoque tanto para as grandes livrarias como para as menores.

E qualquer outra solução que for adotada, a Amazon estará de olho e fará também. É o que explica a entrada no mercado de livrarias físicas também já com algumas poucas lojas.

Com menos esse canal de distribuição, o perigo de a Amazon tornar-se o grande e único distribuidor é quase certo e péssimo para as editoras.

Também houve a proposta de as maiores editoras criarem uma livraria para escoar os seus produtos. Deveria ter sido feito há alguns anos atrás também.

Para o mercado de produção de quadrinhos, aqui no Brasil, podemos imaginar o reflexo dessa crise pela qual passam as lojas hoje. A lenta e gradual diminuição desse importante canal de distribuição das lojas físicas não favorece em nada o que vem sendo produzido. Não é difícil imaginar produtores de quadrinhos com seus estoques de livros em casa à espera de um grande evento para escoar o mínimo que seja.

Como poderíamos analisar essa questão: a crise da Barnes & Noble representando todo o processo crítico que as principais livrarias no mundo todo estão passando? E em que ponto isso afeta a produção da HQ nacional?

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