A importância de Pagu uma das primeiras mulheres que produziu quadrinhos no Brasil

 

Pagu, ou melhor Patrícia Galvão, foi uma artista, jornalista, desenhista, escritora… Uma mulher revolucionária para a sua época, atuando nas décadas de 20, 30, 40 e 50 e início dos anos 60 (ela faleceu em 1962).

Esteve sempre próxima ao grupo que participou da Semana de Arte Moderna; casou-se com Oswald de Andrade, mas depois se separou. Mas desse relacionamento surgiu o jornal que fundaram juntos, O homem do Povo.

Ela assinava a coluna “A mulher do povo”, uma contraposição ao próprio título do jornal, mas que podemos também pensar com uma forma de ampliar o público do jornal, visando as leitoras.

Neste curto período que o jornal foi publicado, entre março e abril de 1931 (durou apenas oito números), Pagu exercitou o seu lado desenhista, produzindo tiras em quadrinhos. Na verdade, ainda no estilo antigo, com quadros e legendas.

A tira se chamava Malakabeça, Fanika e Kbelluda, mostrando o dia a dia da protagonista Kbelluda, uma jovem revolucionária, sobrinha do casal Malakabeça e Fanika, satirizando os costumes da época.

 

 

Foi uma das primeiras tiras em quadrinhos produzida por uma mulher e demonstra a preocupação em mostrar visões da mulher revolucionária na década de 30 (baseado nas vivências da própria Pagu).

Mas o pioneirismo de Pagu vai além. Foi uma das primeiras mulheres a atuar no campo das artes gráficas, foi a primeira a ser presa por questões políticas (ela apoiou uma greve no governo de Getúlio Vargas).

Hoje seu trabalho está sendo revisitado por causa de seus avanços em áreas consideradas, até então, masculinas na época.

Sua vida foi levada paras telas em 1988 com o belo filme Eternamente Pagu, dirigido por Norma Benguell, protagonizado pela atriz Carla Camuratti. Você pode assistir no Youtube.

Pagu também foi uma fonte de inspiração para a nossa personagem, a repórter Estella Vic, da HQ Estella Vic: 1922 e o Manifesto Futurista.

Na história, uma artista plástica pretende explodir o Theatro Municipal no primeiro dia de exposição da Semana de Arte Moderna, cabendo à repórter Estella Vic impedir que a tragédia ocorra.

Clique na imagem da capa do livro em quadrinhos para saber mais.

 

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